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Biografias: Rage Against The Machine

Com um som puro, sem sintetizadores, teclados ou samples; inspirado no punk rock dos anos 70 e donos de um estilo próprio de hardcore, a banda Rage Against The Machine  trás a tona sua revolta em músicas incendiárias, com letras baseadas em uma visão política de extrema esquerda.
Direto de Los Angeles, no ano de 1991, o ex-Inside Out, Zack De La Rocha (vocais), Tom Morello (guitarra), Brad Wilk (bateria) e Tim Bob (baixo) formam a banda que, mesmo sem a ajuda de nenhuma gravadora, vendeu só em shows e fã-clubes, mais de cinco mil cópias de uma demo de doze faixas. Precursores de feitos inéditos, o RATM (ainda em início de carreira) abriu para bandas como: Pearl Jam, Body Count e Public Enemy; sem contar dois shows no palco secundário do Lollapalooza II (Los Angeles, California) e a turnê européia acompanhando o Suicidal Tendencies.
Sua ascendência visível rendeu um contrato com a Epic Records - que lançou o álbum homônimo da banda em Novembro de 1992, com destaque para a capa – a fotografia vencedora do prêmio Pulitzer de 1963, onde um monge ateia fogo no próprio corpo em forma de protesto a um movimento anti-busdista ocorrido no sul do Vietnã.
A turnê pelos Estado Unidos, em 1993, com os rappers do “House Of Pain”, precedeu a segunda apresentação do RATM no Lollapalooza III (Filadélfia), em Julho do mesmo ano - só que no palco principal, onde para protestar contra o PMRC (Parents Music Resource Center) - organização americana de censura, os integrantes da banda ficaram 25 minutos sem cantar ou tocar nada, nus, com uma fita adesiva na boca e as iniciais P-M-R-C riscadas no peito.
Desde então, com a carreira alavancada por protestos, a agenda de shows da banda aumentou desenfreadamente, e os fãs também. Fãs estes que esgotaram os ingressos do festival em prol da liga anti-nazismo “Anti-Nazi” em Londres, Inglaterra; e levaram os rapazes a repetir a turnê pelos Estados Unidos, só que com o Cypress Hill no apoio. Sem contar que insistentes exibições do vídeo “Freedom” na MTV, colocaram o álbum na marca de 1 milhão de cópias vendidas e com o nome entre as 200 mais da Billboard, durante 89 semanas consecutivas.
Tanto sucesso, deve-se não só a um estilo totalmente inusitado – algo entre o rap e o hardcore, quanto pela clara postura política da banda, manifestada na organização de eventos que promovam as causas defendidas. Alguns exemplos disso foram: o show beneficente em fevereiro de 94, intitulado “Rock For Choice”, no The Palladium (Hollywood, California), com a participação de: Eddie Vedder, Screaming Trees, Mary's Danish, 7 Year Bitch, Green Apple Quick Step e Exene Cervenka; e, em abril de 94, outro show beneficente para a "Liberdade de Leonard Peltier" (primeiro lider do Movimento Indígena Americano), que está preso desde o final dos anos 70 sob a alegação de ter atirado em dois agentes do FBI. Sendo que o segundo, arrecadou mais de 75.000 dólares para a causa. Vale destacar que o histórico de protesto doRage demonstra ser hereditário já que o pai de Morello lutou na guerrilha de libertação do Quênia pela dominação colonial inglesa e sua mãe é uma das fundadoras do Parents For Rock and Rap, uma organização anti-censura.
Em outubro do mesmo ano, a banda se apresentou novamente em prol de Leonardo Peltier, só que dessa vez no Grand Olympic Grounds (Los Angeles, CA); onde contou com o apoio do Cypress Hill, Ligher Shade Of Brown, Fobia, Little Joe Y La Familia e Thee Midnighters.
Meses depois do "Latinpalooza" - como já era de se esperar, os reflexos de uma turnê tão extensa começaram a aparecer e surgiram rumores de que a banda poderia acabar. Mas tudo não passava de boatos e falta de convivência entre os integrantes da banda que, devido a seu contrato com a Epic e a agenda lotada de shows, tiveram pouco tempo para se conhecer melhor. Com o objetivo de minimizar o problema, a banda decidiu mudar-se para Atlanta, onde alugaram uma casa e começaram conviver juntos. Eles tentaram gravar um novo disco mas acharam que não ia ficar bom, então decidiram voltar para Los Angeles, onde começaram a gravação do álbum "Evil Empire" ("Império do Mal", nome tirado da forma como Ronald Reagan se referia à antiga União Soviética).
Em abril de 1996 o RATM tocou duas músicas no programa de "Saturday Night Live", mas uma delas nunca chegou a ser exibida, já que a banda cobriu as caixas de som com uma bandeira norte americana de ponta cabeça - protestando contra a presença do candidato a presidência Steve Forbes no programa daquela noite. Ironicamente, no dia seguinte, “Bulls on Parade” (a música censurada) foi premiada no “MTV's 120 minutes” e dois dias depois, “Evil Empire” foi lançado, entrando no Top 200 da Billboard na 1ª posição. De julho até outubro, o Rage ficou em turnê pelos EUA.
Após três meses do término da turnê (janeiro de 97); Tom Morello (guitarra), Zack De La Rocha (vocais), Flea (Red Hot Chilli Peppers, no baixo) e Steven Perkins (Porno for Pyros, na bateria) participaram da estréia do programa "Radio Free L.A", transmitido pela internet e por mais de 50 estações de rádios americanas. Em março do mesmo ano, a Academia Nacional de Artes e Ciências acabou reconhecendo o potencial da banda premiando-os com um Grammy pela categoria de "Melhor Performance de Metal" com a música "Tire Me", além de uma indicação para "Melhor Performance de Hard Rock" por "Bulls On Parade".
Apesar da decidida postura “anti-popularização”, o maior reconhecimento do RATM no meio musical veio quando uma das bandas mais populares do mundo – o U2, convidou-os para abrir seus shows. Como não poderia deixar de ser, os membros do Rage anunciaram que estariam se juntando ao U2 na turnê milionária “Pop-Mart” com uma ressalva: doar o que conseguir dos grandes faturamentos dos shows do U2para várias organizações. Foi exatamente o que eles fizeram. Só para citar alguns dos beneficiados: Associação de ajuda a Mumia Abu-Jamal, FAIR (Fairness and Accuracy In Reporting), The National Commisson for Democ-racy in Mexico, FZLN (Zapatista Front For National Liberation) e Women Alive.
Em meados de agosto, RATM começou uma turnê pelos EUA junto do Wu-Tang Clan (o Wu-Tang Clan é formado por 10 MC's vindos de Staten Island, um município da cidade de Nova York, EUA), mas o Clan abandonou a turnê com apenas uma semana de shows. Em compensação, com a mudança frequente de bandas, revelaram-se outros talentos, como por exemplo, o Foo Fighters e o Roots. Em 25 de Novembro, oRage lançou seu primeiro Home Vídeo repleto de apresentações ao vivo, além de todos os clips de sua carreira e um CD single com o cover de “The Ghost Of Tom Joad” do Bruce Springsteen.
No mesmo mês, Tom Morello foi preso por protestar contra a “Guess?” (marca norte americana de roupas), já que a empresa usava o jeans fabricado em Calcutta, onde os trabalhadores são impelidos a trabalhar sob condições sub-humanas. Justificando o ato, Tom disse em entrevista: “Eles acham que a moda é mais importante e mais nada importa, e então aquela exploração brutal daqueles trabalhadores não os importa. Nós estamos dizendo que eles estão errados."
No começo de 98 a banda gravou a música “No Shelter” que acabou entrando na trilha sonora do filme Godzilla. Na metade do mesmo ano, começaram os ensaios para o novo CD, futuramente intitulado "The Battle of Los Angeles", sendo que em setembro a parte instrumental para 14 músicas já estavam prontas, faltando somente as letras.
Sem deixar de lado suas aspirações politico-sociais, em janeiro de 99, o RATM voltou aos palcos com um show beneficente para Mumia Abu-Jamal, show que aliás, atraiu muito a atenção da mídia e por pouco não aconteceu. As atrações foram o Black Star, Bad Religion e os Beastie Boys. Além do show, Zack - como principal membro ativista da banda, foi até Genebra (Suiça) se manifestar anti as Nações Unidas no caso de Mumia Abu-Jamal e a pena de morte nos EUA.
Quanto mais o tempo passava, mais protestos eram associados ao Rage que, após participar do Tibetan Freedom Concert, fez uma apresentação no Woodstock 99 onde queimou a bandeira dos EUA enquanto tocavam a música “Killing In The Name”.
Em outubro, "Guerilla Radio" - o primeiro single do novo disco foi lançado, seguido pelo álbum "The Battle of Los Angeles". Nos EUA, o lançamento ocorreu propositalmente em 2 de novembro de 1999 (dia de eleição). No mesmo dia, os rapazes apresentaram seu novo single no programa "Late Night With David Letterman" da rede de TV CBS, o que levou outra emissora (FOP) boicotar a apresentação da banda no programa de Conan O’Brien.
A confusão no começo da turnê, retratou o que seria o caótico ano de 2000 para o rage Against the Machine. A banda que planejara uma turnê com os Beastie Boys, teve que cancelar o projeto, devido ao acidente de bicicleta com Mike D; dois shows em São Francisco (julho 2000) – com o objetivo de gravar um CD ao vivo, foram cancelados também; sem contar um tumulto que estourou após os rapazes tocarem do lado de fora da Convenção Nacional Democrática em meados de agosto, justamente no mês de lançamento do single "Testify”.
Os holofotes não estavam mais virados para as músicas e sim para os integrantes da banda - que pareciam não deixar por menos. Em setembro de 2000, após uma apresentação fenomenal no VMAs 2000, o baixista Tim Bob decidiu subir em umas das estruturas do palco logo após perderem o prêmio de melhor grupo de rock para o Limp Bizkit. O músico foi preso e liberado em seguida, já que não existe lei nos EUA contra subir em estruturas de palcos.
Mesmo com o novo projeto - que já contatava aproximadamente 30 músicas gravadas (sendo 12 covers de estúdio), nove anos com o Rage e três álbuns de sucesso; o líder e vocalista Zack de La Rocha, declarou oficialmente no dia 18 de outubro de 2000 que estaria deixando a banda: "Sinto que é necessário abandonar o Rage, pois não estávamos mais conseguindo tomar decisões conjuntas (...) Não estamos mais funcionando juntos como um grupo, e eu acredito que a situação está destruindo nossos ideais políticos e artísticos. Estou muito orgulhoso de nosso trabalho, como ativistas e como músicos, assim como estou grato a cada pessoa que expressou solidariedade e dividiu essa incrível experiência conosco”.
Os demais integrantes do RATM enviaram um comunicado à imprensa, explicando que continuariam com suas atividades depois da saída do vocalista; e foi exatamente o que aconteceu. Mesmo cercados dos boatos que B-Real (Cypress Hill) talvez pudesse integrar a banda - preenchendo o lugar deixado por Zack de La Rocha; Tom Morello e banda decidiram priorizar a produção de seu novo álbum, que levaria o nome de “Renegades”.
No dia 7 de novembro de 2000 (novamente data de eleições nos EUA), o primeiro single do álbum "Renegades" - a música "Renegades of Funk" (original do grupo Afrika Bambaataa) foi lançada, seguida do vídeo homônimo que retrata "renegados" e revolucionários da história. Entre eles: Public Enemy, Beastie Boys, EPMD, Eric B. and Rakim entre outras bandas de rap e funk; além de imagens de Martin Luther Kink Jr., Malcolm X e Thomas Paine.
O álbum "Renegades" veio a tona em 5 de dezembro do mesmo ano com uma coleção de músicas escritas e gravadas originalmente por artistas como MC5, The Stooges, EPMD, Bob Dylan, Minor Threat, The Rolling Stones, Afrika Bambaataa, Devo, Volume 10, Erik B and Rakim e Cypress Hill. São covers de 12 clássicos do Hip-Hop, Rock e Punk Rock; além de uma nova versão remixada da música de Bruce Springsteen: "The Ghost of Tom Joad”. O álbum foi produzido por Rick Rubin (Red Hot Chili Peppers, Beastie Boys, Founder of Def Jam) e mixado por Rich Costey (Fiona Apple, Ice Cube, Pavement).
Em meio ao sucesso do lançamento, o RATM foi pego de surpresa ao saber que muitos de seus fãs tinham sido banidos do Napster por fazer download de suas mais recentes músicas, tudo decorrência das instruções que a companhia de gerência da própria banda tinha dado a Sony Music de instituir a proibição na divulgação. O incidente levou Tom Morello a desculpar-se publicamente, tomando providências para restabelecer os direitos dos usuários lesados e disponibilizando para download, grátis, uma coleção de mp3s e vídeos ao vivo no site oficial da banda.
Janeiro de 2001, o RATM recebe duas indicaçoes para o Grammy nas seguintes categorias: “Melhor Álbum de Rock”, com “The Battle Of Los Angeles”; e “Melhor performance de Hard Rock”, com a música "Guerrilla Radio". No mês seguinte, a banda lança seu home video em DVD e VHS, com o show gravado no México em 1999 pela MTV. intitulado “The Battle of Mexico City”, além da exibição da apresentação da banda - na íntegra, foram reproduzidos alguns trechos políticos feitos pelo ex-vocalista, Zack de La Rocha.
Especulações sobre o novo vocalista voltam a aparecer, depois de um ensaio de Chris Cornell (ex-vocalista do Soundgarden) com a banda. Rapidamente esses boatos são desmentidos por Morello que afirma que a banda não estaria a procura de um novo vocalista. Mesmo porque, o próprio porta-voz e guitarrista, está ocupando sua mente com outros projetos que não a banda. Com um papel no filme “Made”, ao lado de Sean Puffy Combs ou Puff Daddy, como é mais conhecido, Morello deverá usar seu tempo disponível nas gravações.
Mesmo sem vocalista e com seus integrantes dispersos, em março de 2001, o Rage leva o gramofone no 43o Grammy por "Guerrilla Radio” considerada a melhor performance de Hard Rock do ano 2000.
Em maio de 2001 o novo vocalista assume seu posto no Rage Against The Machine. Para a surpresa de todos, o microfone agora passa às mãos de Chris Cornell de fato, negando o que fora dito anteriormente sobre sua entrada. Com sua entrada o grupo deverá gravar um CD sob um novo nome para a banda e com uma mudança de estilo, mostrando que estão dispostos a praticamente "começar de novo". Zack gravará um disco solo ainda este ano. Ainda que incerto sobre seu futuro o (ex) Rage Against The Machine segue olhando à frente, com a cabeça erguida. Foi o que sempre fizeram.


Fonte: Rage Against The Machine - Biografias